domingo, 22 de agosto de 2010

Megalomania

Sempre, desde a mais tenra idade minha, escuto pessoas (sendo que por pessoas eu digo pais) me dizendo que mentir é feio. mentira tem perna curta. é parte do trabalho deles, claro, tentar trabalhar os filhos da melhor maneira possível na tentativa infinda de torná-los em um cidadão modelo. faça o que digo e não o que faço. na maioria dos casos funciona. não foram poucas as pessoas que já conheci com repúdio ao erótico e desprezo pela falsidade. meus parabéns. vocês são um exemplo. no meu caso não funcionou. não porque eu nasci com o mal em mim, realmente sinto que não. não vejo um cadáver e acho graça nem um assassinato e pergunto educadamente se posso ajudar. também não digo que sou bom rapaz. sou neutro. mas ainda vim à este mundo com um problema. não sou capaz de falar a verdade. não por opção, simplesmente é impossível. se chove digo que faz um bom dia, se a comida está boa digo que cheira a cocô, se uma mulher é bonita, digo que nunca vi mais feia. isso não exatamente funcionou bem para a minha vida. não demorou até perceberem desse meu defeito e começarem a botar a culpa em mim. 'foi ele professora' 'isso é verdade?' 'err... sim.'. me ferrei muito na vida por causa disso. em um belo dia tornei isso contra os outros. puxei o alarme de incêndio, quebrei vidros e queimei provas. me perguntavam se fui eu, dizia que não. dizia com uma naturalidade que impossibilitava qualquer duvida sobre a veracidade da minha afirmação. a vida me impossibilitou de falar a verdade, então minto.
o tempo passou. e passei colando. fui para a faculdade e menti até conseguir meu diploma de direito. me tornei advogado então. não que eu sentisse qualquer amor pelas leis e afins, mas sim porque nenhuma profissão se encaixava melhor com minha definição de ser do que essa. ganhei muitos casos pela minha naturalidade em falar minhas "inverdades". houve até mesmo situações em que chamaram especialistas em detectar mentiras para checar o que eu falava. mas como, para meu inconsciente, tudo que eu falava era verdade, eu não demonstrava qualquer reação. para todos exceto mim mesmo, eu era absurdamente honesto. o mentiroso perfeito. em situações em que deveria responder a verdade eu mudava de assunto ou respondia de forma a dar-se a entender que eu falei a coisa certa. funcionou muito bem. conheci uma mulher uma vez depois de um julgamento. ela não era bonita. uma pessoa maravilhosa, mas até certo ponto feia. começamos a nos relacionar. funcionou melhor do que eu imaginava. ou nem tanto. ela me chamava para sair e quando não queria era obrigado a ir. quando queria tinha que fazer alguma artimanha eloquente para conseguir ir. ela me perguntou se eu achava ela bonita uma vez. disse que sim. ela ficou muito feliz. me chamaram para um firma grande de advocacia em um momento e pediram meu currículo. menti nele também. coloquei conquistas que nunca foram minhas nem nunca tentei fazer. me contrataram. minto até hoje. talvez não mais porque preciso, mas acho que mais porque soube fazer usar isso a meu favor. é errado? talvez. mas funciona.


e ainda tenho perna longa.


Iago Schütte

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

#210

I believe that in order to walk through grief, fear, loneliness, despair, confusion and anger without recourse to drugs, alcohol, over-eating, over-sexing, or the endless mind-numbing distractions provided by Western culture, one must become a spiritual warrior. I further believe that the pay-off for enduring suffering, for soberly embracing the inevitable bouts of emotional pain that life brings, is wisdom and serenity in the face of calamity. But make no mistake here, the path of the warrior is treacherous and cannot be walked alone. To survive, he must have brothers and sisters-in-arms to carry him when he buckles. When we lived and died in small tribes, this principle of mutually supporting one another through the trials of life was deeply woven into the fabric of the group mind. With the advent of towns and cities we were forced to live with the daily dilemma of being desperately alone and yet desperately needing one another. Which is why we are, by design, always seeking new tribes. With that in mind, I humbly offer a simple guideline to evaluate the efficacy of any tribe you might encounter on your path to becoming a spiritual warrior: if they ask for your money or access to your crotch, run away. If they ask for your money, smile unceasingly, never blink, and guarantee to make you a demi-god, running away will not suffice. Change your mailing address and briefly reconsider drugs, alcohol, food, sex and TV.

Chuck Lorre

Happiness is a warm gun

Foi realmente um momento incrivelmente divertido. não sei porque nunca fiz isso antes. na verdade, eu sei, é levemente obvio porque. mas céus, se eu soubesse antes o quão bom isso seria eu ja teria feito há eras atrás. tive a idéia do nada. minha situação não era a melhor. era um daqueles momentos que eu espero que ninguém nunca tenha que passar por na vida. um daqueles momentos de total falta de idéia de 'o que eu faço agora'. já tinha problemas o suficiente para me importar e parecia que a cada um deles que eu resolvia, outros três surgiam no lugar. em um momento de tédio extremo, eu cheguei a fazer um flow chart com os problemas e seus consequentes. ficou bonito. e grande, devo citar. mas bem, era uma daquelas situações em que você não tem mais para onde correr. tinha que arranjar dinheiro de alguma forma. a quem eu falei desse problema me disse que a melhor coisa a se fazer para resolver meu problema era vender tudo e ir morar em um lugar mais simples e de pouco em pouco me reerguer. outros me recomendaram um chocolate. achando que a primeira opção era levemente mais lógica, resolvi seguir com ela. pesquisei no mercado quanto que poderia ganhar vendendo minhas coisas. fiquei feliz ao descobrir que a minha casa valia um preço impressionantemente bom. ótimo. fui ver então quanto valiam os objetos da dita casa. a TV estava velha, não valia muito. certo. o computador também. sem problema. a geladeira consome muito. aham. o fogão vaza gás as vezes. ok. as roupas estão velhas. hmm. o som não lê CD. huh... o congelador não congela. ahh, isso explica... o chuveiro não esquenta e...
acho que meu ponto foi feito.
minha casa era pessima.
até onde consegui pensar com minha matemática minúscula, o preço das minhas coisas no mercado era desprezível se comparado ao da casa. o preço de levar essas coisas para a casa nova seria muito caro. ela era bem longe da minha casa. sério. com o dinheiro que eu tinha, eu tenho sorte de que ela ainda estivesse numa zona considerada urbana.
fazer o que? vendê-las? não valia o esforço. levá-las? idem. o que fazer então?
foi aí que me veio.
veio como um flash em minha mente e por um segundo foi a melhor idéia que eu tive em muito muito tempo.
mas vai ser difícil de limpar, vale a pena?, eu pensei.
não me importo, me respondi, eu limpo, vale a pena com certeza.
então certo. fui até a cozinha, abri o armário, peguei uma garrafa de whisky que tinha guardado para uma ocasião especial (não era exatamente uma situação assim que eu esperava, mas poderia ser), fui até a sala, me sentei na poltrona desgastada e coloquei um pouco do whisky em um copo com uma unica pedra de gelo. coloquei, mexi um pouco com meu próprio dedo e tomei em um gole só. era realmente muito bom, valeu a pena eu ter esperado. não achei que valia a pena desperdiçar tal deliciosa bebida e tomei mas uma dose. e outra. e outra. delicia. sentindo que já havia experimentado o suficiente e que se eu tomasse mais uma dose ou duas eu não conseguiria ficar em pé, me recompús e me levantei. virei todo o resto da bebida no chão. o cheiro do whisky se espalhou pela sala inteira. com a garrafa vazia, segurei-a pelo gargalo, tentei ficar o mais imóvel possível.
mirei a televisão e joguei.
a garrafa entrou de uma unica vez, sendo uma daquelas TVs de tubo, fez uma chuva de faíscas belíssima.
a consciência me bateu mais forte. será que eu deveria realmente fazer isso? convenhamos seria uma bagunça homérica e não sou exatamente o maior amante da limpeza. fiquei parado por uns bons minutos. olhei para a TV destruída e para o whisky derramado e pensei que realmente não valia a pena. fui à cozinha, peguei um pano e voltei para limpar o whisky. 'belo desperdício' pensei. com o pano no rodo, comecei a limpar o chão, quando, por um não raro desastre meu, derrubei um vaso no chão também. fui me virar para ver o tamanho do estrago e o cabo do rodo que eu segurava derrubou um vaso da estante. cacos, cacos e mais cacos. droga. a bagunça já havia ficado pior ainda. nessa hora minha consciência foi dominada pela minha parte 'foda-se' do cérebro que me disse que, agora que a bagunça já começou, que termine. agradeci-a pelo conselho e resolvi jogar um jogo. coloquei em cima de uma mesa comprida mas não larga que ficava atrás do sofá os vasos da casa enfileirados. fui até o quarto, busquei um taco de baseball e voltei. meu jogo era simples. quem destruir o maior numero de vasos com tacadas ganha. eu ganhei. a cada vaso que era destruído em uma rajada de cacos eu me sentia melhor. e a cada um eu tentava fazer diferente, batia mais em cima, mais embaixo, tentando fazer algum tipo de efeito nos vasos acertados. claro que eu não conseguia, mas eles eram destruídos da mesma forma então isso me alegrava. depois de todos os vasos reduzidos à cacos, me voltei para a televisão. ela já não funcionava, obvio, tinha uma garrafa de whisky inteira enfiada nela, mas isso tornava o motivo ainda maior para eu derruba-la. fiz isso. foi tão divertido quanto os vasos.
minha jornada da destruição durou por um bom tempo. fui na estante de porcelana e também destruí tudo. arranquei a porta da geladeira e do congelador que não congelava. quebrei o vidro do forno do fogão e aproveitei para derruba-lo ao chão de uma vez. joguei o computador pela janela. quebrei a mesa do meu quarto me jogando em cima dela. idem com a da sala. pulei na cama até todas as molas e suportes arrebentarem. arranquei a porta do armário, peguei a tesoura e cortei todas as minha roupas que nunca usei/usaria de novo (caridade? puf). apenas no intuito da mais pura ironia, joguei todos os pedaços de roupas debaixo do tapete e da cama. fui até a cozinha, peguei uma faca, voltei e furei todos os travesseiros da minha cama. e a cama. voou pena para todos os lados. o chão ficou branco quase que por completo. apenas para reforçar minha comédia, coloquei algumas das penas debaixo do tapete. fui até o lado de fora onde, no armazém, eu tinha guardado um moedor de madeira. fui até o escritório, derrubei a estante de livros, levantei ela de novo, peguei alguns dos livros mais inúteis, fui até o moedor, liguei e joguei os livros. foi uma chuva de pequenos pedaços de papel. não estava louco/bêbado o suficiente para achar que era neve, mas achei bastante bonito de qualquer forma. empolgado com a possibilidade de novos métodos de destruição, fui até dentro da casa e voltei com uma cadeira de madeira velha como todas as coisas da casa e joguei ela lá. era belo como ela sumia em segundos. desliguei o moedor para poupa-lo (ele era a unica coisa que realmente valia algo além da casa em si). voltei para dentro da casa, peguei todos os temperos/grão/coisas da minha cozinha e saí pela casa jogando tudo. pimenta, páprica, arroz, feijão, tudo no chão (rima não intencional). achei que faltava um pouco de musica no ar. fui até o tocador e tentei por um CD, mas assim como me lembrei, ele não lê CD. aproveitei então para jogar o CD pela janela. e o tocador. e a TV. fui até o banheiro com o taco de baseball e, com uma tacada só, arranquei a torneira. um jato de água começou a sair ininterruptamente, fui até o chuveiro e com igual eficiência, arranquei ele da parede e um jato de agua começou a sair. por um motivo que até hoje eu não sei explicar, a agua estava quente. ótimo. me molhei e continuei minha jornada.
minha dita jornada continuou por mais cerca de duas horas. ao fim eu não conseguia/consigo/conseguirei descrever a situação que estava a casa. tirando a casa em si, tudo, absolutamente tudo, havia sido repartido em dois ou mais pedaços. a sala, centro da minha diversão, estava o melhor. entrei nela molhado, escorregando em feijões e me sujando de tinta. desviei dos cacos, pulei a mesa quebrada e cheguei à poltrona, provavelmente a unica coisa em "perfeito" estado da casa. me sentei e, para minha indescritível felicidade, percebi que a mesa do lado ainda estava inteira e com o copo em cima, e nesse copo havia ainda uma quantidade considerável de whisky. o gelo havia derretido por completo, deixando-o com um gosto aguado péssimo. mas que não anulava a qualidade do whisky. me reclinei na poltrona e, tomando um gole a cada pouco, analisei a situação a minha volta. tudo destruído. lindo. isso tudo era realmente o que eu precisava. foi provavelmente a melhor sensação que tive em toda minha vida. em minha humilde opinião, deveriam-se criar spas que vendessem situações assim. devo dizer-lhes, nunca me senti tão bem. é uma sensação de libertação impressionante. não me importo mais em ir morar numa casa na fronteira do que chamamos de meio urbano. não mesmo. melhor lá do que essa casa como era antes. mas agora era maravilhoso (de um ponto de vista diferente do considerado normal, claro, mas maravilhoso de qualquer forma). cada caco no chão, cada mancha de tinta e cada grão de arroz no chão me traziam um pouco a mais de calma. 'aaahh' expressei enquanto relaxava mais ainda na poltrona e bebia mais um gole do whisky aguado. finalmente me sentia calmo.



'e ainda tenho de limpar essa merda toda depois.' pensei.




quinta-feira, 29 de julho de 2010

Head and Shoulders

When I moved to my new flat I was very happy but when I worked out that the whispering voices that I can hear when I put my head under the water in the bath belong to dead people I wasn't happy any longer, particularly because I realised that every time I put my head under the water when I had a bath the voices were slightly louder than the time before.
I tried not putting my head under the water when I had a bath but every fucking time curiosity got the better of me and I had to try it just for a second just to check and of course, even half a second of that sort of thing would bother anyone.
I keep asking the landlord to put a shower in but he prevaricates and says things like what do you want a shower for thats a lovely old bath thats an antique that is look at it it's Victorian you'd pay top dollar for one of those at the reclamation yard.
It's all right for him. He hasn't got fucking dead people talking to him every time he washes his hair.

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De um vídeo do Radiohead

terça-feira, 27 de julho de 2010

Жди меня

Wait for me and I’ll return,

Only wait very hard.


Wait as you’re filled with sorrow as you watch the yellow rain.

Wait as the wind sweeps the snowdrift.

Wait in the sweltering heat.

Wait when others have stopped waiting,

Forgetting their yesteryears.


Wait even when from afar no letters come to you.

Wait even when others are tired of waiting.

Wait even when my mother and son think I am no more,

And when friends sit around the fire drinking to my memory.

Wait, and do not hurry to drink to my memory too.


Wait – for I’ll return.


Defying every death,

And let those who do not wait say that I was lucky.


They will never understand that in the midst of death,

You, with your waiting, saved me.

Only you and I will know how I survived –

Because you waited as no one else would.

J ibuf sfmjhjpot.

foi uma situação desagradavel. na verdade, não pode se dizer que foi desagradavél. isso é pouco. a situação era terrivel. a ponto de você se perguntar o porque que alguem merece isso. foi assim que eu estava. a situação previamente citada começou assim como todas as coisas ruins que acontecem na vida de qualquer pessoa. do nada. sim, não negue, sempre que você esta na felicidade ou no conforto alguem/algo complica a situação (eu ia usar um termo não ortodoxo, mas nunca se pode garantir quem vai ler esse texto. e não quero ser processado, não deve ser agradavél. advogados sabem sugar seu dinheiro tõ bem quanto mentir. e as vezes usam de ambos. esse parenteses já esá bem grande, com licença) . eu estava muito bem, sim, surpreenda-se, e a vida ia bem. não havia do que reclamar. sim, havia uma reclamação aqui e ali. não existe uma unica alma viva nesse mundo que esteja completamente satisfeita com seu status quo. seja um rico em sua mansão ilegal que queria uma piscina com 5 metros a mais, ou um sem-teto que queria tirar o 'sem' de seu titulo. mas relevando a minha chatisse com as pequenas coisas, eu estava muito feliz. mas a vida é uma caixinha de surpresas que, assim como em caixinhas de surpresas reais, as surpresas são no geral desagradaveis. pois bem. era uma manha pacata, num dia pacato com situações pacatas e conversas pacatas. (e muitos poucos adjetivos). estava tendo uma conversa igualmente pacata com um homem do meu trabalho, gente boa, devia ser um pouco mais novo do que eu mas aparentava ser muito mais velho. ele falava algo sobre aviões. não que isso tivesse nada a ver com o que eu efetivamente fazia no trabalho, era aquele tipo de papo de duas pessoas que vão pegar um café e não querem ficar em um silencio constrangedor. e ele me vem falar de aviões. e ele, aparentemente, não conseguia perceber que aquele olhar em meu rosto dizia que eu não dava a mínima para o que ele falava. mas, pois bem, eu demorava para terminar meu café mas deixei-o continuar, quem sabe em algum momento da minha vida eu vou precisar saber sobre as revolucionarias medidas do novo air blá-blá-blá. no meio da conversa (enquanto ele me falava sobre a cauda aerodinamica do dito air blá-blá-blá) ele começou a falar estranho. falava apenas sons que não sabia distinguir de maneira nenhuma. começei a achar estranho assim como qualquer um acharia. perguntei o que ele estava falando. ele parou e repitiu o mesmo sons indefinido de pouco antes. eu fiquei parado, me perguntando se aquilo era uma brincadeira. resolvi perguntar isso à ele. ele disse que brveuoow? (não sei o que ele falou, mas aparentava ser uma pergunta). eu disse que ele não falava paravras com sentido. ele repetiu o som anterior. eu continuei encarando-o. ele disse vvndfje e colocou a mão no meu ombro e parecia preocupado com algo. falei esquece e me dirigi para meu cubilo não longe dali. o lugar onde eu trabalhava era bom. não maravilhoso. bom. tinha ar-condicionado, e isso ja contava muito, vide o calor do lado de fora, mas ainda era tudo incrivelmente monocrômico que eu ignorava a existência do resto das coisas. chegando na minha falha tentativa de um escritório confortavel, eu me sentei em minha igualmente não confortavel cadeira para continuar a digitar os documentos que já estavam na minha mesa a aproximadamente um mês. não me julguem, eu simplesmente não me importo. e meu serviço é tão secundario que ninguem mais se importa. até onde eu sei eu posso brincar de cowboy o dia inteiro que ninguem vai se importar. eu só fico aqui por causa dos planos de saude, do carro, das ferias e outros. eu amo sindicatos. voltando aos ditos tardios papéis, sentado em minha cadeira de espinhos (eu acho que poderia processar os fabricantes por falsa propaganda ao botarem 'confortavel' nas caracteristicas do assento da tortura) comecei a ler os papeis. assim como com o companheiro do café, onde era pra estar 'Relatorio anual (algo que não me lembro)' estavam apenas palavras indefinidas. estranhei. fiquei confuso tambem. e estranhei a confusão da estranha situação. talvez alguem estivesse pregando uma peça em mim. mas eu não falo com ninguem aqui a esse ponto. o cara do café não tem amigos que não sejam aviões imaginarios, então não vejo ninguem aqui nesse comodo que teria feito isso. fui até o cubiculo da frente para perguntar para a simpatica moça acima do peso o que diabos havia acontecido com meus papeis e se ela havia visto alguem entrando no meu escritorio (eu gosto de chamar aquilo de escritorio, me faz sentir-me mais importante. a simpatica moça me disse que bvrheuow e nvfreuiwnp. nvudipew?. mas claro minha senhora, isso faz completo sentido. perguntei-me novamente se era brincadeira e mias uma vez exprimi meus pensamentos. e ela tambem disse egwsya7u (como o 7 entra na fala, não me pergunte). desisti e resolvi ir pra casa. no caminho achei estranho. todas as placas diziam palavras sem sentido. fiquei levemente preocupado. cheguei em casa mais preocupado ainda. cheguei e chamei minha mãe (sim, eu moro com minha mãe, foda-se). ela apareceu lavando um copo da cozinha e, com uma delicadeza que só minha mae sabe fazer, me perguntou se cewvtfquveuwq? eu travei. agora eu tinha quase certeza que não era brincadeira. ou era uma gigantesca e absurdamente bem elaborada e gostaria de comprar uma cerveja para quem fez isso tudo, e depois chut-alo soleemente no saco. perguntei, por protocolo já, para minha mãe se ela estava brincando. ela me disse haufehwuvgsayie. oh céus. falei para ela que não entendia nenhuma unica palavra do que ela estava falando. ela me fez cara de você esta brincando comigo (cara essa que já me consierava especialista) e me perguntou faflanurewo? repeti minha ultima fala. ela deixou o copo em cima de uma mesa por perto (o que eu considerei chato, acho muito mais épico quando jogado no chão) e veio correndo em minha direção dizendo coisas sem sentido. repeti minha fala a cada vez que ela falava algo. ela começou a aparentar realmente preocupada. subiu as escadas correndo e voltou com um casaco meu e me entregou. supus que fosse para eu usar então vesti-o. ela me falou algo com menos sentido ainda e saiu pela porta. perguntei aonde iamos. ela me falou flabelbrneia. falei minha boa e velha frase. ela falou mais devagar. o que não mudou nada, mas percebi que o 'e' era acentuado. repeti-me. ela aparentou ter uma ideia e escreveu algo numa folha de papel e me mostrou. idem. ela ficou agora confirmadamente preocupada. ela me desenhou uma cruz vermelha. supondo que ela provavelmente não estava propondo irmos ajudar doentes africanos e sim que iriamos ao hospital, concordei e segui-a até o carro. no caminho silencio total. primeiramente porque qualquer conversa duraria menos de 3 segundos e seria levemente unilateral, e em segundo porque eu não estava com animo de conversar. por algum motivo essa situação toda me deprimia. mas nem tanto. perceber que me deprimia mais nem tanto me deprimiu mais ainda. sim, tão estranho quanto. mas de qualquer forma, achei realmente estranho eu não estar tão deprimido, afinal, eu meio que não entendia nada que ninguem falava. mas eu me senti quase que neutro. minha confusão foi interrompida pela nossa chegada ao hospital. ao entrarmos na sala de espera, absurdamente lotada, minha mae foi direto ao terminal de atendimento.




são quase meia-noite, eu dormir tarde ontem e acordei cedo, meu dia foi pesado e eu estou com febre e dor de cabeça, a unica maneira de terminar esse texto é estende-lo por quase o dobro do tamanho atual, então me desculpem por terminar assim do nada mais entendam meu ponto.


boa noite a todos.


Iago Schütte

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Cosmo-agonia Parte 2

Favor ler Parte 1
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era uma minúscula coisa que parecia com uma bexiga. nenhum ser como o algo poderia depois de tanto tempo vendo grandes bolas de algos explodindo constantemente não achar isso a coisa mais legal de toda sua existência. (não que você possa exatamente dizer que isso é uma existencia, mas não vamos entrar nesse papo existencialista e continuar com a historia). pois bem. o algo ficava observando a coisinha ululante durante eras. via como ela se mexia para a direita, depois para a esquerda. OH! agora ela foi pra cima. céus, é emoção demais para o coração teórico do algo. e assim foi, o algo foi vendo a pequena coisinha ir pra frente, pro lado, pra cima pra baixo. e se divertindo assim. e da mesma forma foi por um longo tempo. esquerda. direita. cima. baixo. OH! não. nada. ela só foi pra direita de novo.
o algo se cansou.
convenhamos que você tambem se cansaria. ficar vendo a mesma coisinha fazer as mesmas coisinhas durante um periodo de tempo tão absurdo quanto o algo ficou, você tambem se cansaria. eu me cansei e o nada se cansou.
o algo então, exausto dessa falta de novas direções, resolveu fazer outras coisas. talvez fazer aqueles tão esperados buracos negros que a tempo ele planejava. eles sim tem cara de ser divertidos.
e deixou a bexiguinha sem criatividade para trás.
buracos negros de fato divertiram o algo além do que a bexiguinha inútil divertiu-o por muito tempo. talvez até por tempo demais. porque o algo cansou deles. sim, ele é tão voluvel quanto.
na falta do que fazer, nada mais natural para o algo do que ir checar o que andava acontecendo na existência a sua volta. e talvez até visitar o nada, porque não?
tudo ia bem. coisas explodindo e pegando fogo como planejado. ah... a existência. mas então o algo se lembrou que havia algo que ele ainda não havia checado. a sua entediante bexiguinha. fazendo uma visita rápida à insignificante pedra azul, o algo ficou chocado ao descobrir que tudo havia mudado. antes não havia simplesmente nada (não aquele nada) na pedra redonda. agora tudo havia mudado. haviam grandes coisas verdes na terra e pequenas coisas na agua. mas que bonito! então a bexiguinha fez algo alem de ir para a esquerda!
o algo ficou então acompanhando as coisas daquele planetinha insignificante. as novas coisas eram de fato bem mais legais do que a bexiguinha jamais foi. as coisas verdes tinham um cheiro bom e as pequenas coisas na agua iam em bem mais direções do que a bexiguinha. e ainda faziam curvas! era muita felicidade para um algo só. e agora que havia tanta mais coisa acontecendo, o algo ficou observando aquele planetinha e deixou o resto do universo se cuidar sozinho, ele já tinha idade para isso.
com o tempo o algo foi vendo, e ficando maravilhado, com as coisas que aconteciam naquele lugar. coisinhas se alimentavam de outras coisinhas, e enquanto limpavam os dentes dos restos da coisinha que eles haviam acabado de comer eram comidas por uma coisa. que rindo da ironia da situação se pegava distraída do ataque da coisona que a surpreendia por trás. era uma surpresa atrás da outra.
e se tal diversão não fosse o suficiente, em um momento uma das coisinhas resolveu checar o que estava acontecendo fora da agua. por curiosidade ou por falta de vontade de ficar vendo coisinhas se alimentando de coisinhas inocentes, essa coisinha aventureira abriu um novíssimo capitulo na historia do Planetinha de Diversão do Algo. esse coisa aventureiro teve pequenas coisinhas aventureiros que por sua vez tiveram coisinhas aventureiras juniors. e assim foi. e quando o algo menos percebeu, na terra das grandes coisas verdes haviam muitas e muitas coisinhas aventureiras. ou seja. agora o algo tinha duas fontes de entretenimento! eu não consigo descrever em palavras como isso deixou o algo entusiasmado. se antes já tinham muitas reviravoltas na historia, agora com todas essas grandes coisas verdes para as coisinhas aventureiras subirem e saltarem de, a historia vai ficar bem mais interessante.
com o tempo, as coisinhas aventureiras deixaram de serem coisinhas e viraram gigantes coisonas aventureiras. e coisas gigantes sempre deixavam o algo empolgado. e quando uma coisa gigante atacava uma coisa de igual gigantosidade e as duas travavam uma batalha epica, apenas para descobrir que essa batalha se travava em cima de outra coisona mais epica ainda e as duas coisas gigantes eram engolidas era o clímax para o algo.
depois de um tempo, o algo se cansou (novamente) do que acontecia e resolveu fazer uma mudança brusca no roteiro da historia. mas o que? mas é claro! vamos jogar uma grande pedra no planetinha e ver o que acontece. e isso o algo fez. mas para a surpresa do algo, depois que ele jogou a pedra ele percebeu que talvez ela fosse grande demais. e acabou destruindo basicamente todas as grandes coisas que ele tão amava. isso chateou bastante o algo. ele fez uma cagada pesada. mas enfim, talvez algo bom viesse disso.
o algo então percebeu que as coisas epicas e destrutivas tinham dado lugar a umas coisinhas peludas e, bem, normais. e isso não tinha muita graça para o algo, e com o tempo ele foi perdendo interesse nesse novo mundo que ele havia criado. essas coisinhas no maximo jogavam frutas das grandes coisas verdes umas nas outras. e só. nada de mais. qualquer um faz isso.
e então o algo se cansou do planetinha e resolveu partir pra uma próxima.
mas o algo, de saida, viu algo. (não ele mesmo, algo no sentido de alguma coisa). ele olhou mais de perto. uma das coisinhas peludas, que era meio diferente das outras, andava em duas patas e tudo mais, não estava com um olhar vazio como todas as outras, ela tinha um olhar diferente, e esse olhar estava voltado não para o ambiente à sua volta, ele estava voltado para outro lugar.

'Espera aí. ela esta me vendo?!'



Iago Schütte